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Bolsas de Intercâmbio para Jovens Negros: programas de bolsas ao redor do mundo

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Estudar em outro país pode transformar uma trajetória acadêmica e profissional. Além do acesso a universidades, idiomas e redes internacionais, o intercâmbio permite que jovens negros ocupem espaços dos quais historicamente foram afastados.

Entretanto, para muitos estudantes brasileiros, o custo de passagens, mensalidades, documentação, moradia e alimentação torna esse projeto aparentemente distante. É nesse cenário que as bolsas de intercâmbio para jovens negros ganham importância.

Algumas oportunidades são destinadas especificamente a estudantes pretos, pardos, quilombolas ou africanos. Outras não utilizam critérios raciais, mas oferecem bolsas integrais para candidatos de países em desenvolvimento, pessoas de baixa renda, refugiados e grupos historicamente sub-representados.

Neste guia, você conhecerá programas existentes no Brasil e em outros países, entenderá como funcionam as bolsas, quais despesas podem ser cobertas e como preparar uma candidatura competitiva.

Aviso importante: editais, requisitos, valores e datas podem mudar a cada edição. Consulte sempre a página oficial da instituição antes de enviar documentos ou realizar pagamentos.

O que são bolsas de intercâmbio para jovens negros?

As bolsas de intercâmbio para jovens negros são auxílios financeiros que permitem a participação em programas acadêmicos, culturais, profissionais ou de pesquisa fora do país de origem.

Essas oportunidades podem ser financiadas por:

  • governos;
  • universidades;
  • fundações privadas;
  • organizações internacionais;
  • institutos de pesquisa;
  • empresas;
  • organizações não governamentais;
  • programas de cooperação entre países.

Nem todas as bolsas são exclusivas para candidatos negros. Alguns dos maiores programas internacionais selecionam estudantes de diversas origens, mas possuem políticas de inclusão voltadas a pessoas de baixa renda, grupos racializados, refugiados, mulheres, pessoas com deficiência e comunidades historicamente excluídas.

Por isso, o estudante deve pesquisar duas categorias principais:

  1. programas específicos para pessoas pretas, pardas ou afrodescendentes;
  2. programas gerais nos quais estudantes negros podem concorrer utilizando critérios acadêmicos, sociais e de liderança.

Por que o intercâmbio ainda é menos acessível para jovens negros?

A desigualdade racial brasileira também aparece no acesso à educação internacional. O problema não começa apenas no momento de comprar uma passagem.

Muitos estudantes negros enfrentam, desde cedo, dificuldades relacionadas a renda, qualidade da educação básica, acesso limitado a cursos de idiomas, necessidade de trabalhar durante a graduação e ausência de referências próximas que tenham estudado fora do país.

Outras barreiras frequentes incluem:

  • desconhecimento sobre editais internacionais;
  • falta de recursos para emitir documentos;
  • custo de provas de proficiência;
  • dificuldade para conseguir cartas de recomendação;
  • pouco acesso a orientação acadêmica;
  • receio de sofrer racismo no exterior;
  • falta de planejamento financeiro;
  • dificuldade para comprovar liderança ou atividades extracurriculares.

Uma política de internacionalização verdadeiramente inclusiva não deve apenas oferecer vagas. Ela precisa considerar as condições sociais que impedem determinados grupos de participar do processo seletivo.

Por isso, programas que pagam passagem, hospedagem, seguro, alimentação e documentação costumam ser mais acessíveis do que bolsas que cobrem somente a mensalidade.

O que uma bolsa de intercâmbio pode pagar?

A cobertura depende do programa. Algumas bolsas são integrais, enquanto outras financiam apenas uma parte do intercâmbio.

DespesaPode estar incluída?O que verificar
Mensalidade do cursoSimSe a bolsa cobre 100% da tuition
Passagens internacionaisSimSe há limite de valor ou reembolso
MoradiaSimResidência universitária ou auxílio mensal
AlimentaçãoSimBolsa mensal ou refeições no campus
Seguro-saúdeSimCobertura obrigatória no país
VistoÀs vezesTaxas e deslocamento até o consulado
Material acadêmicoÀs vezesLivros, computador e equipamentos
Curso de idiomaÀs vezesAntes ou durante o programa
Transporte localÀs vezesPasse estudantil ou auxílio mensal
Prova de proficiênciaRaramenteAlgumas instituições oferecem isenção
Ajuda para dependentesRaramenteMais comum em bolsas de pós-graduação

Uma bolsa chamada de “integral” nem sempre cobre todas essas despesas. Leia o edital completo e calcule os possíveis custos extras antes de aceitar a oportunidade.

Principais programas de bolsas e intercâmbio para jovens negros. Programa Caminhos Amefricanos

Jovens negros em universidade internacional pesquisando bolsas de intercâmbio

O Caminhos Amefricanos é uma das iniciativas brasileiras mais diretamente relacionadas à mobilidade internacional de estudantes negros.

Criado por meio de parceria entre o Ministério da Igualdade Racial, o Ministério da Educação e a CAPES, o programa promove intercâmbios de curta duração em países africanos, latino-americanos e caribenhos.

As edições recentes incluíram destinos como Angola, Moçambique, Panamá, México, Peru e República Dominicana.

Em chamadas realizadas entre 2025 e 2026, determinadas edições ofereceram vagas para estudantes autodeclarados pretos, pardos ou quilombolas matriculados em cursos de licenciatura de instituições públicas. Algumas seleções estabeleceram como requisito estar cursando, pelo menos, o quinto semestre da graduação.

O edital de Moçambique publicado em 2026 reforçou que o programa busca combater o racismo, promover a igualdade racial e ampliar a internacionalização da educação brasileira por meio de intercâmbios Sul-Sul.

Perfil mais comum dos participantes:

  • estudantes pretos, pardos ou quilombolas;
  • graduandos de licenciaturas;
  • alunos de instituições públicas;
  • professores da educação básica em edições específicas;
  • pessoas interessadas em educação e relações étnico-raciais.

Duração: geralmente curta, podendo chegar a aproximadamente 15 dias, conforme o edital.

Possíveis benefícios:

  • passagem aérea;
  • hospedagem;
  • alimentação;
  • seguro;
  • atividades acadêmicas;
  • visitas culturais;
  • auxílio para deslocamentos.

O grande diferencial do Caminhos Amefricanos é colocar a diáspora africana, a educação antirracista e as relações entre países do Sul Global no centro da experiência.

2. Programa Atlânticas

O Programa Atlânticas é direcionado à qualificação de mulheres negras, indígenas, quilombolas e ciganas em áreas estratégicas para a formulação de políticas públicas.

As primeiras bolsas foram planejadas para estudos no exterior em temas como saúde reprodutiva, primeira infância, habitação popular, meio ambiente e políticas de cuidado.

Na edição divulgada pelo Governo Federal, a iniciativa foi direcionada a mulheres pertencentes aos grupos contemplados pelo programa, com critérios específicos de idade, formação e atuação profissional.

Como o público e os requisitos podem mudar em novas edições, é necessário acompanhar os canais do Ministério da Igualdade Racial e das instituições parceiras.

Indicado principalmente para:

  • mulheres negras;
  • quilombolas;
  • indígenas;
  • mulheres ciganas;
  • profissionais e pesquisadoras interessadas em políticas públicas.

3. Mastercard Foundation Scholars Program

O Mastercard Foundation Scholars Program é uma das maiores iniciativas internacionais de educação voltadas a jovens africanos e pessoas de comunidades sub-representadas.

O programa funciona em parceria com universidades e organizações. Cada instituição define seus cursos, documentos, prazos e critérios de seleção.

A bolsa pode incluir:

  • mensalidades;
  • acomodação;
  • livros;
  • materiais acadêmicos;
  • orientação psicológica;
  • mentoria;
  • formação em liderança;
  • passagem de retorno ao país de origem, quando necessária.

A fundação informa que candidatos à graduação normalmente devem ter até 29 anos e candidatos ao mestrado, até 35 anos, embora cada universidade possa estabelecer regras adicionais.

Entre as instituições participantes estão universidades da África, Europa, Canadá e outros territórios. A disponibilidade de vagas muda ao longo do ano. Em julho de 2026, por exemplo, a Universidade de Pretória aparecia no sistema do programa com admissões abertas, enquanto outras instituições estavam com seleções encerradas.

Atenção: muitas oportunidades são destinadas especificamente a cidadãos de países africanos. Brasileiros precisam verificar a nacionalidade aceita por cada universidade.

4. Erasmus Mundus Joint Masters

O Erasmus Mundus oferece mestrados conjuntos realizados em duas ou mais universidades, geralmente em diferentes países europeus.

Embora não seja exclusivo para jovens negros, o programa recebe candidatos de todo o mundo e pode representar uma oportunidade importante para estudantes brasileiros com excelente desempenho acadêmico.

As bolsas integrais podem cobrir:

  • custos de participação;
  • mensalidades;
  • viagens;
  • visto;
  • auxílio mensal de manutenção.

Os mestrados duram entre um e dois anos. A União Europeia informa que a bolsa individual pode chegar a € 1.400 mensais, por até 24 meses, conforme as regras da ação e do curso selecionado.

Cada mestrado possui sua própria candidatura. Na maioria dos casos, as inscrições para iniciar os estudos no segundo semestre do ano seguinte acontecem entre outubro e janeiro, mas os calendários variam.

Perfil indicado:

  • estudantes que já concluíram a graduação;
  • candidatos com bom histórico acadêmico;
  • pessoas com experiência em pesquisa ou projetos;
  • estudantes com proficiência em inglês ou no idioma exigido;
  • candidatos interessados em estudar em mais de um país.

5. Chevening Scholarships

A Chevening é a bolsa internacional do governo britânico para cursos de mestrado de um ano no Reino Unido.

O programa busca profissionais com potencial de liderança e capacidade de gerar impacto em suas comunidades. Não é exclusivo para pessoas negras, mas recebe brasileiros de diferentes áreas e não possui limite máximo geral de idade.

Normalmente, a bolsa inclui:

  • mensalidade universitária;
  • passagem aérea;
  • auxílio mensal;
  • custos relacionados à chegada;
  • algumas despesas de visto;
  • participação em eventos da rede Chevening.

Os candidatos precisam escolher cursos elegíveis, geralmente presenciais, integrais e com início no período acadêmico de outono do Reino Unido. A candidatura também exige experiência profissional após a graduação, conforme os critérios de elegibilidade da edição.

Em julho de 2026, as inscrições para brasileiros estavam encerradas, mas a página oficial orientava os interessados a acompanhar o calendário da próxima seleção.

Para jovens negros com atuação em projetos sociais, educação, saúde, empreendedorismo, tecnologia ou políticas públicas, a trajetória de liderança pode ser um ponto relevante na candidatura.

6. Fulbright Brasil

O Programa Fulbright é uma iniciativa do governo dos Estados Unidos presente em mais de 160 países. No Brasil, oferece diferentes oportunidades para estudantes, pesquisadores, professores e profissionais.

As modalidades variam de acordo com o ano. Entre elas podem aparecer:

  • doutorado sanduíche;
  • pesquisa;
  • aperfeiçoamento de professores;
  • cátedras acadêmicas;
  • formação profissional;
  • intercâmbio para professores de inglês.

Para o período acadêmico de 2026–2027, a Fulbright Brasil e a CAPES ampliaram de 25 para até 50 o número de bolsas de doutorado sanduíche nos Estados Unidos. Em julho de 2026, essa seleção estava com inscrições previstas até 2 de agosto de 2026.

A Fulbright não é uma bolsa racial exclusiva, mas estudantes negros podem fortalecer suas candidaturas mostrando impacto social, relevância da pesquisa, excelência acadêmica e contribuição para o Brasil.

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7. Bolsas MEXT para estudar no Japão

As bolsas MEXT são oferecidas pelo governo japonês por meio do Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia.

No Brasil, os processos seletivos são realizados pela Embaixada e pelos consulados japoneses. Em 2026, as representações diplomáticas informavam a existência de seis modalidades destinadas a estrangeiros.

As opções podem incluir:

  • graduação;
  • escola técnica;
  • curso profissionalizante;
  • treinamento para professores;
  • estudos da língua e cultura japonesa;
  • pesquisa, mestrado ou doutorado.

A bolsa para graduação costuma incluir um ano preparatório de língua japonesa e outras disciplinas. O programa de pesquisa pode permitir o ingresso posterior em mestrado ou doutorado, conforme aprovação na universidade.

Os benefícios variam, mas normalmente podem incluir mensalidades, auxílio mensal e passagem aérea.

O processo costuma ser exigente e pode envolver análise documental, prova escrita, entrevista e contato com universidades japonesas.

8. Government of Ireland International Education Scholarship

A bolsa internacional do governo da Irlanda atende estudantes de fora da União Europeia interessados em mestrado, pós-graduação ou doutorado em instituições irlandesas participantes.

A chamada de 2026 foi publicada pela autoridade irlandesa de ensino superior, acompanhada por regulamento, perguntas frequentes e relação das instituições elegíveis.

Embora não seja uma iniciativa específica para estudantes negros, pode ser uma alternativa para brasileiros com bom desempenho acadêmico e um projeto consistente.

Como os critérios institucionais podem variar, o candidato deve verificar simultaneamente:

  • elegibilidade da universidade;
  • admissão no curso;
  • documentação da bolsa;
  • exigência de idioma;
  • datas de inscrição.

Comparação entre os principais programas

ProgramaDestino principalNívelExclusivo para pessoas negras?Tipo de apoio
Caminhos AmefricanosÁfrica, América Latina e CaribeGraduação e formação docenteSim, em várias ediçõesIntercâmbio de curta duração
AtlânticasPaíses definidos no editalFormação e pós-graduaçãoDirecionado a grupos específicosBolsa acadêmica
Mastercard FoundationÁfrica, Europa e CanadáGraduação e pós-graduaçãoFoco em africanos e sub-representadosGeralmente integral
Erasmus MundusEuropaMestradoNãoBolsa integral ou parcial
CheveningReino UnidoMestradoNãoGeralmente integral
FulbrightEstados UnidosDiversos níveisNãoDepende da modalidade
MEXTJapãoTécnico, graduação e pósNãoGeralmente ampla cobertura
Governo da IrlandaIrlandaMestrado e doutoradoNãoBolsa e auxílio financeiro

Como encontrar bolsas de intercâmbio para jovens negros

Acompanhe instituições oficiais

Crie uma rotina para consultar os portais da CAPES, Ministério da Igualdade Racial, embaixadas, consulados e universidades.

Não dependa apenas de publicações em redes sociais. Muitos conteúdos continuam circulando depois que as inscrições já terminaram.

Pesquise em português e inglês

Grande parte das oportunidades não aparecerá nas buscas quando você utilizar apenas termos em português.

Experimente combinações como:

  • scholarships for Black students;
  • scholarships for Afro-descendant students;
  • fully funded scholarships for Brazilian students;
  • international scholarships for underrepresented students;
  • exchange programs for Black youth;
  • scholarships for Global South students;
  • fully funded master’s scholarships;
  • mobility grants for Brazilian students.

Consulte a assessoria internacional da sua instituição

Universidades públicas e privadas podem manter convênios internacionais que não recebem grande divulgação externa.

Procure setores com nomes como:

  • relações internacionais;
  • cooperação internacional;
  • mobilidade acadêmica;
  • internacionalização;
  • intercâmbio universitário.

Pergunte sobre editais internos, isenção de mensalidade, aproveitamento de disciplinas e ajuda de custo.

Participe de redes negras de educação

Coletivos universitários, associações de pesquisadores negros e grupos de ex-bolsistas podem compartilhar experiências que não aparecem nos editais.

Essas redes ajudam a entender assuntos como racismo no país de destino, adaptação cultural, cuidados com cabelo e pele, moradia segura e construção de uma rede de apoio.

Documentos normalmente exigidos

Cada edital estabelece suas regras, mas alguns documentos aparecem com frequência:

  1. documento de identificação;
  2. passaporte válido;
  3. histórico escolar;
  4. diploma ou declaração de matrícula;
  5. currículo acadêmico ou profissional;
  6. carta de motivação;
  7. projeto de pesquisa;
  8. cartas de recomendação;
  9. certificado de proficiência;
  10. comprovante de renda;
  11. autodeclaração racial, quando exigida;
  12. comprovante de atuação profissional ou comunitária.

Crie uma pasta digital e salve versões atualizadas de todos os documentos. Também mantenha cópias em formato editável e PDF.

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Como escrever uma carta de motivação competitiva

Estudante negra preparando candidatura para bolsa de intercâmbio no notebook
Uma candidatura bem planejada deve reunir histórico acadêmico, carta de motivação, currículo e recomendações.

Uma boa carta não deve apenas repetir o currículo. Ela precisa mostrar por que aquela oportunidade faz sentido dentro da sua trajetória.

Apresente:

  • quem você é;
  • o que deseja estudar;
  • quais problemas pretende enfrentar;
  • por que escolheu o programa;
  • como utilizará o conhecimento adquirido;
  • qual impacto pretende gerar depois do intercâmbio.

Um jovem negro pode mencionar experiências relacionadas à desigualdade racial quando elas fizerem parte real de sua trajetória ou de seus objetivos.

Evite escrever apenas que “sempre sonhou em estudar fora”. Transforme o sonho em um plano.

Em vez disso, explique como o curso ajudará a melhorar um projeto, uma pesquisa, uma política pública, um negócio ou uma iniciativa comunitária.

Como demonstrar liderança sem ter um cargo importante

Muitos estudantes deixam de se candidatar porque acreditam que liderança significa ocupar um cargo de chefia. Essa interpretação é limitada.

Liderança também pode ser demonstrada por meio de:

  • organização de grupos de estudos;
  • participação em coletivos;
  • voluntariado;
  • criação de projetos comunitários;
  • representação estudantil;
  • orientação de colegas;
  • produção de conteúdo educativo;
  • atuação em movimentos sociais;
  • organização de eventos;
  • desenvolvimento de soluções para problemas locais.

O mais importante é mostrar o que você fez, quem foi beneficiado e quais resultados foram alcançados.

Cronograma de preparação para uma bolsa internacional

PeríodoAção recomendada
12 meses antesPesquisar países, cursos e bolsas
10 meses antesVerificar idioma e documentos
8 meses antesPreparar-se para prova de proficiência
6 meses antesSolicitar cartas de recomendação
5 meses antesEscrever carta e projeto
4 meses antesRevisar histórico e currículo
3 meses antesTraduzir e autenticar documentos
2 meses antesPreencher formulários
1 mês antesRevisar e enviar a candidatura
Após o envioPreparar-se para entrevistas

Começar cedo reduz o risco de perder uma oportunidade por causa de passaporte, tradução, prova de idioma ou carta de recomendação.

Erros que podem eliminar uma candidatura

Não ler o edital completo

Uma candidatura excelente pode ser desclassificada por um documento ausente.

Usar a mesma carta para todas as bolsas

Cada programa possui objetivos próprios. A carta deve refletir a missão da instituição.

Exagerar experiências

Informações falsas podem ser identificadas na entrevista ou durante a verificação documental.

Ignorar a exigência de idioma

Mesmo quando a prova não é exigida na primeira etapa, ela pode ser solicitada posteriormente.

Enviar tudo no último dia

Portais podem ficar instáveis. Além disso, documentos corrompidos ou campos incompletos podem impedir o envio.

Pagar por uma suposta bolsa

Desconfie de pessoas que garantem aprovação, pedem transferência bancária ou solicitam pagamento para “reservar” a vaga.

Como avaliar a segurança e a inclusão no país de destino

Antes de escolher uma cidade ou universidade, pesquise além do ranking acadêmico.

Verifique:

  • existência de associações de estudantes negros;
  • políticas contra discriminação;
  • canais de denúncia;
  • diversidade do corpo docente;
  • localização das moradias;
  • custo de vida;
  • transporte;
  • acesso à saúde;
  • legislação migratória;
  • experiências de outros estudantes negros.

O racismo pode assumir formas diferentes em cada sociedade. Conversar com pessoas que já viveram no destino ajuda a construir expectativas mais realistas.

Também vale verificar se a universidade oferece apoio psicológico, tutoria acadêmica, orientação para estudantes internacionais e suporte em situações de discriminação.

Vale a pena fazer intercâmbio?

O intercâmbio não deve ser visto apenas como uma viagem. Ele pode representar uma estratégia de formação profissional, ampliação de repertório e construção de redes.

Entre os possíveis benefícios estão:

  • domínio de outro idioma;
  • acesso a novas metodologias;
  • experiência multicultural;
  • fortalecimento do currículo;
  • participação em pesquisas internacionais;
  • criação de contatos profissionais;
  • maior confiança pessoal;
  • novas possibilidades de carreira.

Por outro lado, estudar fora exige preparo emocional. Solidão, choque cultural, dificuldades financeiras e experiências de racismo podem surgir durante o período.

A decisão precisa considerar tanto as oportunidades acadêmicas quanto as condições reais de permanência.

Conclusão

As bolsas de intercâmbio para jovens negros podem abrir caminhos acadêmicos, profissionais e pessoais que ainda parecem inacessíveis para grande parte da população brasileira.

Programas como Caminhos Amefricanos e Atlânticas atuam diretamente na promoção da igualdade racial. Iniciativas como Mastercard Foundation Scholars Program priorizam jovens africanos e comunidades sub-representadas. Já bolsas como Erasmus Mundus, Chevening, Fulbright, MEXT e Governo da Irlanda são abertas a diferentes públicos, mas também podem ser conquistadas por estudantes negros brasileiros com preparação adequada.

O primeiro passo não é possuir um currículo perfeito. É identificar uma oportunidade compatível com seu momento acadêmico, compreender os requisitos e começar a se preparar.

Organize seus documentos, estude idiomas, participe de projetos, fortaleça sua trajetória e acompanhe os canais oficiais. Uma candidatura internacional é construída gradualmente.

A presença de jovens negros nas universidades e instituições globais não representa apenas uma conquista individual. Ela amplia referências, fortalece redes, produz conhecimento e ajuda a transformar espaços que durante muito tempo permaneceram pouco diversos.

FAQ – Perguntas frequentes sobre bolsas de intercâmbio para jovens negros

1. Existem bolsas de intercâmbio exclusivas para estudantes jovens negros?

Sim. No Brasil, programas como o Caminhos Amefricanos já publicaram editais destinados a estudantes autodeclarados pretos, pardos ou quilombolas. Também existem iniciativas voltadas a mulheres negras e programas internacionais direcionados a africanos e grupos sub-representados.

Posso conseguir uma bolsa sem falar inglês?

Depende do programa e do país. Algumas bolsas oferecem curso preparatório de idioma, como determinadas modalidades do MEXT. Entretanto, programas de mestrado em inglês normalmente exigem algum nível de proficiência.

Preciso ter notas perfeitas?

Não necessariamente. O desempenho acadêmico é importante, mas muitas bolsas também avaliam liderança, impacto social, experiência profissional, projeto de pesquisa e condições socioeconômicas.

Um jovem negro brasileiro pode concorrer a uma bolsa no Mastercard Foundation Scholars Program?

Depende da instituição parceira. Muitas bolsas são destinadas exclusivamente a cidadãos de países africanos. O candidato brasileiro deve verificar as nacionalidades aceitas pela universidade escolhida.

O Caminhos Amefricanos paga todas as despesas?

A cobertura é definida em cada edital. As edições podem incluir passagem, hospedagem, alimentação, seguro e atividades acadêmicas. É indispensável verificar o documento oficial da seleção.

Preciso estar matriculado em uma universidade?

Para programas de mobilidade acadêmica, normalmente sim. Outras bolsas são destinadas a pessoas que já concluíram a graduação, professores, pesquisadores ou profissionais.

Como comprovar que sou uma pessoa negra?

Quando a política é racialmente direcionada, o edital pode solicitar autodeclaração e, em alguns casos, procedimento de heteroidentificação. As regras precisam estar descritas na chamada oficial.

É possível fazer intercâmbio totalmente gratuito?

Sim. Algumas bolsas integrais cobrem mensalidade, passagem, moradia, alimentação, seguro e auxílio mensal. Mesmo assim, o estudante deve verificar possíveis despesas com passaporte, traduções, exames e deslocamentos.

Qual é a melhor idade para procurar uma bolsa?

Não existe uma única idade. Há programas para adolescentes, universitários, recém-formados, pesquisadores e profissionais experientes. Algumas bolsas estabelecem limite de idade e outras, como a Chevening, não possuem limite máximo geral.

Onde acompanhar novos editais?

Acompanhe os portais oficiais da CAPES, Ministério da Igualdade Racial, Fulbright Brasil, embaixadas, consulados, Erasmus+, Chevening, universidades e fundações responsáveis pelos programas. Evite confiar apenas em páginas que não informam a fonte original.

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